segunda-feira, 20 de abril de 2009

ATUAÇÃO DO NUTRICIONISTA NA ÁREA DE PESQUISA

1)Quando teve início a profissão do nutricionista?

Retomando brevemente a história do nutricionista, sabe-se que o processo de formação desse profissional no Brasil iniciou-se no final da década de 1930, mas apenas em 1967 foi sancionada a primeira lei que regulamentava a profissão.Muitos avanços foram conquistados pela categoria ao longo dessas décadas, nas quais buscou-se a legitimidade e identidade profissional.
A ampliação dos campos de atuação foi certamente uma das maiores conquistas, sendo que para tal fato acontecer houve necessidade de melhorar a qualificação das habilidades e conhecimento técnico-científico desse profissional.
2) Em que áreas atua o nutricionista?
Tradicionalmente, o nutricionista atua nas áreas de: alimentação coletiva, nutrição clínica, saúde pública e ensino. Felizmente, pelo fato de cada dia a população se tornar mais consciente em relação à qualidade de vida, buscando por meio da alimentação manter a saúde e atingir a longevidade, surge novo enfoque a atuação do nutricionista, mesmo dentro das áreas citadas.
Assim, dentro da alimentação coletiva, destacam-se atividades de maior cobertura da alimentação escolar oferecida aos alunos da rede pública, com valorização contínua do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de estudos dos perfis epidemiológicos das populações atendidas pelo programa para as devidas intervenções nutricionais.
Na nutrição clínica, destaca-se o atendimento domiciliar (home care), atuação em bancos de leite humano (BLH), instituições de longa permanência de idosos e a ampliação da atuação em consultórios, principalmente com a abertura dos planos de saúde a nossa categoria.
Já na saúde coletiva, o destaque fica para a atuação junto aos Programas de Saúde da Família (PSF).
Além desses setores, a nutrição em esporte e na área de marketing também merecem ser ressaltadas.
3) O nutricionista também realiza pesquisas científicas?
Sim, além de todas as áreas de atuação já mencionadas, o nutricionista se insere e tem grande importância na pesquisa científica.Esse ramo de atuação, não tão divulgado, é de extrema importância, pois há muito a se descobrir e muito do que se certificar. Depende da pesquisa científica a confirmação dos benefícios, malefícios ou ausência de efeito que diversos produtos ou atitudes podem trazer a vida humana.No que se refere à alimentação, muitas são as perguntas intrigantes que remontam tanto às crenças populares quanto à real efetividade de produtos e dietas que são produzidos diariamente por empresas diversas que visam o lucro, ou mesmo em relação a programas sociais lançados pelo governo.
As pesquisas podem ser de cunho epidemiológico, prospectivas ou retrospectivas, ou seja, avaliam a efetividade de uma ação a partir do presente ou avaliam impactos de ações já instalados. Podem ser realizadas em humanos ou em animais (pesquisa experimental), sendo essas últimas realizadas principalmente se algum motivo tornar inviável a realização direta em humanos.
O nutricionista que se dedicar à pesquisa científica pode se preparar para tal desde a graduação por meio da iniciação científica, a qual equivale a um instrumento que permite introduzir os estudantes de graduação potencialmente mais promissores na pesquisa científica. O programa coloca o aluno desde cedo em contato direto com a atividade científica e permite engajá-lo nesse nicho, formando futuros pesquisadores.
Após a graduação, o profissional se prepara para ser um pesquisador independente por meio de mestrado e doutorado.É importante citar que um país que deseja ser respeitado mundialmente deve contribuir com qualidade científica para o conhecimento mundial. Pesquisa científica séria e ética traz crescimento em todos os âmbitos e permite ao país conhecer melhor a si próprio.
Os problemas sociais e econômicos do Brasil podem e devem ser resolvidos por meio da aplicação de conhecimento científico. A ciência é sabidamente a resposta sobre como devemos lidar com as desigualdades em nosso país, e o nutricionista faz parte, cada dia em maior número, dos profissionais que tornarão o Brasil independente em termos de pesquisa científica.


Autor

Dra. Karine Freitas

Nutricionista graduada pela Universidade Federal de Ouro Preto (MG), Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Doutoranda pela Unifesp. Também é colaboradora da Comissão de Comunicação do CRN-3, gestão 2008-2011.

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